Um poema, dois bordados
Poema de Sete Faces, do Drummond, é de uma delicadeza imensa. Alguém procurando seu lugar no mundo, meio cético, meio esperançoso.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Gosto da dialética e da acidez dos poemas dele, e esse me tocou tanto que dele nasceram dois bordados, com citações de dois versos da obra dele, usando técnicas distintas: bordado na fotografia impressa e bordado em bastidor, dá uma olhada:
O bordado na fotografia impressa pode ser encomendado, variando tamanho e cores. Já o bordado no bastidor está a pronta entrega e também pode ser personalizado por encomenda.
Se você se identificou com a mensagem e a história, escreve para heloizanacalmaria@gmail.com, ou me procura no Instagram @heloizanacalmaria para saber como ter uma dessas peças afetivas na sua casa. <3




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